A educação digital como ferramenta para prevenir os riscos na internet foi tema de oficina no MP

A superexposição e a falta de conhecimento sobre os dados disponibilizados na internet foram apontados por especialistas, reunidos hoje (2), no Ministério Público estadual, como fatores que deixam o usuário mais suscetível a se tornar vítima de crimes na rede. A oficina ‘Segurança e Cidadania Digital: Educando para as boas escolhas online’ foi realizada pelo Núcleo de Combate a Crimes Cibernéticos (Nucciber) do MP, em parceria com a SaferNet Brasil e a Secretaria Estadual de Educação. Na abertura do evento, o coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal (Caocrim), promotor de Justiça Marcos Pontes, falou sobre a importância de aliar à repressão criminal, a educação do internauta. “Hoje, o foco da nossa atuação é coibir esses crimes, por meio de uma ação proativa de educação, voltada sobretudo às crianças e adolescentes”, afirmou.

Na primeira palestra da oficina, o promotor de Justiça do Nucciber, Áviner Rocha Santos, destacou que boa parte dos crimes cometidos com o uso da internet pode ser prevenida com a educação das vítimas. “O internauta precisa saber que, uma vez postado, o conteúdo sai do seu controle”, afirmou, ressaltando o perigo da superexposição. “Expor a intimidade, detalhes do dia a dia, da vida em família, dos relacionamentos, gera riscos desnecessários”, destacou, citando como exemplo os casos de ‘sextorsão’, quando outra pessoa, dispondo de imagens ou vídeos íntimos, ameaça o internauta de divulgar esse material a terceiros, caso não receba algo em troca. O promotor recomendou cuidado especial no uso das redes sociais e dos aplicativos de troca de mensagens. “Já temos casos de sequestros que foram cometidos apenas com base em informações obtidas por meio de dados expostos em redes sociais”, alertou.

O diretor de educação da SaferNet, o psicólogo Rodrigo Nejm, falou sobre estratégias educativas para um uso mais seguro da internet. “É preciso que fique claro que estamos falando de segurança de pessoas e não de dispositivos eletrônicos, portanto, o foco da solução do problema não está em recursos tecnológicos, mas sim numa mudança de cultura”, frisou. Rodrigo apontou como o grande dilema do mundo digital a “aparente oposição” entre os conceitos de liberdade e segurança. “É preciso que haja um equilíbrio: da mesma forma que não se pode abrir mão da liberdade que a internet proporciona, ao colocar pessoas de todo o mundo em contato direto e com acesso a uma gama imensa de informações; tampouco se deve descuidar da segurança pessoal, por meio da superexposição”, afirmou, concluindo que “para navegar com segurança na rede, atualmente, é preciso atenção e senso crítico para saber fazer boas escolhas”.

Fotos: Erik Salles (Rodtag)

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